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Jorge Simões

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Amadora, Portugal

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A Uma Mulher

by

Jorge Simões

Bela e serena
amei-te quando passaste
perto dos meus olhos.
Quis-te,
como só o desejo permite, com a sede
de todos os desertos,
com a fome de todas as guerras.
só depois contive as minhas mãos
que te queriam, e despi-te com poemas
de todos os poetas
que inundam esta vida.
O meu leito foi o campo
onde a ti flôr, te quis colher,
e entre todos os presentes
com que te tentei,
guardei as palavras,
que apenas os corações mais plenos
conseguem dizer.
Julguei num último olhar
que te voltavas,
e olhando para mim
entendias
a maré viva que nascia
rolando neste coração
revolto e vivo
feito areal de solstício.
Passaste e partiste,
e como qualquer tempestade
que termina,
assim me fiquei,
olhando os despojos
de um momento,
que só uma mulher
deixa no olhar de cada homem.


Saudade

by

Jorge Simões

Estendido no silêncio
Enrolo-me na memória
Feita de pano alvo,
Abraço as palavras
Inesquecíveis
Os gestos quentes
Agarrados à pele - já entregues.

dolorosamente delirando
embrenhado na dôr do ausente
trauteio canções
nossas,
canções de sabor a dias
que eram dias
onde a tua pele
repousava colada ao meu peito
e sorvíamos os beijos
como água,
dessedentando os nossos desejos,
pedindo com os olhos um e mais um.

hoje,
restam bocados de ti
espalhados pelo chão,
entalados nas gavetas
semi abertas.
miro as minhas mãos,
estão lá os teus seios
o teu cabelo
a tinta dos poemas
que te dava,
a tua mão contínuamente
dormindo ao pé da minha.

enrolo-me na memória
e não me conforto,
o frio abraça-me
e com os olhos
procuro na janela
o nosso pássaro
dantes presente no beiral
assobiando o sol,
à cabeceira,
um copo de mágoa
lembra-me que te deixei partir,
e num sorriso vago,
trago-o de uma vez,
aconchegando à memória
um manto quente
de saudade.